15 de jan. de 2014

Como as estrelas


Como as estrelas

Era ela então como as estrelas,
Pareciam estar juntas umas das outras, 
mas eram tão distantes quanto pareciam

Sua mente estava começando a adquirir a solidão
Estava começando a vê-la como parte de si
Estaria ela enlouquecendo?

Mesmo se estivesse não havia a quem pedir ajuda
Não existia alguém que a resgataria
Nem se berrasse, não existiria tal pessoa

As estrelas devem ser muito solitárias,
Esse pensamento a acompanhava
Devem ser solitárias e tristes,
Fechava os olhos com tal pensamento
E por fim sempre concluía que era exatamente como elas

Mas após a conclusão de seu pensamento, ela sorria e dizia a si mesma:
- Por que estou eu triste? Se sou como as estrelas, nunca desistirei até que meu brilho se esvaia.



Calada

Calada

A porta bateu com força deixando-a sozinha
Tentou gritar com todas as suas forças
Correu para o banheiro trancando a porta
Colocou as mãos na cabeça puxando seu cabelo

Não tinha como fugir, não tinha como escapar
Tentou chorar com todas as suas forças
Abriu a torneira e viu a água correr
Pegou o copo de vidro que estava em cima da pia

Ele caiu no chão se estilhaçando
Tentou mentir para si mesma com todas as suas forças
Pegou um dos cacos e o apertou na mão
Viu o sangue escorrer e pingar no chão branco

Era como uma obra abstrata
Sangue, vidro e ódio
Era isso o que ela via

Um grito mudo escapou de sua garganta
Lágrimas caíram em abundância
Mas as mentiras já não existiam mais
Não tinha mais forças para mentir

Se olhou no espelho e bateu com o punho fechado
Bateu repetidamente no reflexo de sua imagem

Era inútil tudo aquilo e ela sabia,
Sabia que não tinha e nem podia gritar
Sabia que não tinha sentido chorar

E sabia também que sua única escolha era continuar
Continuar para poder aguentar sua vida
Sabia que precisava continuar calada
Por mais que isso a enlouquecesse

Não era como se tivesse algum outro jeito
Era um beco sem fim do qual não podia voltar

E só se podia ficar assim,
Calada.





Inspirada na música No Love - Simple Plan


Revolta

Revolta


Um sentimento corria por todo o seu corpo
Parecia se apoderar dela como um parasita
Era óbvio que não pertencia aquele lugar
Era impossível que pertencesse
Não podia fazer parte daquele mundo

Os vidros estilhaçados aos seus pés
Os inúmeros cortes nos seus braços
Os móveis jogados no chão
Eram a prova de que não conseguia mais viver ali

Tinha que sair dali
Precisa conseguir um meio de fugir
Como aguentaria mais um momento ali
Naquele lugar escuro e frio
Onde só existia seu medo e sua revolta

Mas não importava o quanto gritasse
O quanto esperneasse, quebrasse,
Ela nunca poderia escapar dali.

Afinal, aquilo era a sua própria mente
Um lugar que ela tinha perdido o controle
Um lugar que tinha usado para se refugiar
Mas que acabou virando uma prisão

Só havia dor, medo, mentiras,
Como aquilo havia virado a sua mente,
como havia se tornado prisioneira daquilo
Um lugar sem amor, nem esperança.

Mas ela nunca poderia conter sua revolta
E por mais que achasse que um sentimento bom nunca existiria ali
Ela se agarrou a essa revolta - a coisa mais sólida que achou
Para poder ter forças para lutar

Forças para escapar dela mesma. 




Esse post está uma bosta mesmo já que faz muito tempo que não venho postar alguma coisa aqui no blog. O fato é que eu estou aqui por causa da música de uma das minhas (senão a única) banda preferida.
No Love - Simple Plan.

27 de jun. de 2012

Olhar

Olho para trás e só vejo o vazio, 
Melhor que a escuridão.
Que reflete a minha alma.

Olho para frente e só vejo a luz,
Por mais bonita que seja.
É inalcançável.

Olho para o lado e vejo dor,
Por mais que doa,
Não posso cura-la.

Olho para o lado e vejo tristeza,
Por mais que me faça chorar.
Não posso para-la.

Olho para baixo e só vejo o chão,
Duro e Frio, Por mais sólido que seja.
Não consegue me segurar.

Olho finalmente para cima e vejo as estrelas.
Estáveis e Imortais.
Ah como eu queria poder ser uma delas!

O que posso fazer então?
O que posso fazer ao não ser ficar onde estou?

Quero fugir dali,
Mas meus pés não se movem.
Quero gritar,
Mas minha voz não sai.
Quero chorar,
Mas as lágrimas não existem.

Quando es que vais me buscar?
Quando es que vais me resgatar daqui?
Quando es que vais me pegar em teus braços?

Isso é impossível saber.

A única coisa que me resta.
É olhar.

Olhar para ver se acho uma saída.
Olhar para ver se consigo uma.
Olhar por mim para ver se me liberto de você.

Por que foi você quem me pôs aqui.

23 de jun. de 2012

My Beautiful Life

Olho todos os dias para todos assim que piso na sala de aula. Como de costume sou uma das primeiras a chegar. 

Vejo a minha chinesinha sentada na primeira carteira e jogo a minha mochila na cadeira da carteira atrás dela. 

Tiro a jaqueta e a coloco na cadeira. Passo as alças da minha mochila na cadeira e fico em pé. Ando pela sala e converso com alguns meninos.

 Meus Otakus preferidos estão falando do Ao No Exorcist e de quando a segunda temporada ira ser lançada. 

Logo entro na conversa e demonstro a minha ansiedade junto deles. A professora chega e todos tem que se sentar. A chinesinha muitas vezes me olha como se não estivesse entendendo nada.

Explico boa parte para ela e chega a hora da troca de professores. Maya e Fê veem me dar oi e eu retribuo para as minhas BFFs. 

O recreio chega e eu já comi metade do meu lanche na sala. Tenho culpa de ter fome muito cedo? Divido meu lanche já que não consigo comer tudo sozinha.
A primeira coisa que faço é rir com as palhaçadas do Zé Roberto e do Vi. A chinesinha gruda no meu braço e passamos o recreio juntas.

Percebo que todo dia é a mesma coisa. Pode até parecer cansativo ou então uma rotina, mas quando qualquer uma dessas pessoas não está ali, parece que tem um vazio difícil de ser preenchidos.

Eu vejo agora que não posso reclamar de nada. Minha chinesinha ingênua e de vida muito ocupada faz uma falta irreparável. Meus dois Otakus ocupam um espaço muito grande no meu coração. Meus palhaços fazem doer meu coração quando não os vejo. Minhas duas BFFs me fazem chorar sem o colo delas. 
Percebo que nada poderia ser diferente. Está a minha vida e talvez o meu destino. Caramba como eu tenho sorte!

Só tenho uma coisa a dizer: Amo muito vocês, guris e gurias, que me fazem feliz. 

30 de mai. de 2012

Querido


"Querido,

Antes que se pergunte o que diabos esta carta está dizendo quero que leia bem e pense muito antes de tirar qualquer opinião sobre o que vou escrever.

Acho que eu deveria começar explicando o porquê estou escrevendo, ou então, os motivos que me levam a escrevê-la, mas acho que por ser eu estar a escrevendo deveria ser diferente. Isso faz algum sentindo? Espero que faça, pois escrevo com tanta dor no meu coração que não sei se terei coragem de lê-la novamente.

Sempre fomos tão amigos, lembra-se? Desde que te vi pela primeira vez sinto algo no fundo do meu coração. De começo, confesso que achei que fosse o intenso sentimento de amizade. Mas logo fui percebendo que o que eu sentia era mais forte que isso.

Todos os dias em que eu chego à escola o vejo rodeado de garotas que não te amam, só estão ali por puro interesse, mas parece que você não percebe isso. Doí só de ver as imagens na minha mente, as imagens que mais parecem um filme de terror no qual eu sou a vitima. E o pior de tudo é que parece que você gosta disso. Será que não percebe que elas não te amam como eu te amo?

Mas a dor pior foi quando você simplesmente começou a se afastar de mim. Simplesmente parou de falar comigo e foi cada vez mais se aproximando delas. A dor foi tanta que eu não conseguia reagir. Não consegui tentar me aproximar novamente de você. Era como se eu estivesse em puro choque.

Estou escrevendo essas palavras e nem me importo se vai conseguir distingui-las, as lágrimas estão embaçando a minha visão. Não estou pedindo para vir me pedir desculpas. Estou aqui porque não aguento mais sentir tanta dor na minha alma.

Talvez quando você ler esta carta, não mude nada. Mas sinto como se tivesse me livrado de um peso nas costas. Não espero que isso me livre da dor que sinto todos os dias ao olhar para você, mas como dizem... A esperança é a última que morre.

Acho que você já saiba quem está escrevendo a carta, mas isso já não me importa mais.

Com amor.
Alguém que te ama."



Aqui estou eu. Com essa crônica para SM.

6 de mai. de 2012

Here comes de the sun.

A música que lhe fazia se sentir melhor tocava em seu coração. Ela esquadrinhou todo céu com o seu olhar e imaginou o que ele estaria fazendo. Isso não é da sua conta, pensou enquanto brincava com uma moeda, seu olhar se perdia na imensidão azul de um céu em pleno inverno paulista. 


Isso sim era incomum. Todos estavam dizendo que este inverno castigaria São Paulo, mas tudo o que sentia era uma leve brisa. 

O céu estava repleto de estrelas brilhantes, outra coisa muito incomum. Assim como o sentimento que tomou seu coração. Nunca havia se sentido assim antes.

 Sorriu de lado enquanto via a imagem dele na sua mente. Era linda e calma como a música que a encantava. O seu sorriso aumentou e uma risada nervosa escapou de seus lábios.


Se levantou da grama onde estava deitada e passou a mão na roupa para limpa-la. Suspirou e entrou em casa. Deu um boa noite para sua mãe e subiu para seu quarto sem nem mesmo jantar. Fechou a porta e tirou a calça jeans. Tirou a maioria dos cobertores e deixou apenas o lençol. 

Soltou os cabelos e abriu a janela, era um habito que tinha. Sua mãe já havia a proibido de fazer isso, vai que um ladrão vem e assalta a casa?

 Mas ela não estava nem ai. Desligou a luz do quarto e ligou a do abajur, não gostava de dormir no escuro. Não era medo, era mais um costume que havia pegado. Deitou-se e se deixou levar pela bela imagem dele. 
Era de manhãzinha quando acordou. 

O sol nem havia nascido direito e ela viu que eram 06hrs00min da manhã.Se levantou e percebeu que havia esfriado, mas assim que fechou a janela ela escutou um barulho.

 Percebeu que veio da janela, a abriu e olhou para baixo, quando de repente se depara com um garoto vestido de pijamas e sorrindo para ela. Ela praticamente não acredita e corre para a porta da frente, sem nem mesmo vestir uma calça.

Abriu a porta e ele sorriu mais ainda.

- Eu dormi pensando em você. Eu passei o dia inteiro pensando em você. Na verdade, desde que eu a conheci que eu penso em você e nem me venha com desculpinhas por que eu sei que você pensa em mim. - ele disse.

- Convencido - ela disse e os dois riram.

O sol nascia quando os dois se entregaram um ao outro, com um único beijo. Um beijo que os faria viver para sempre.