6 de mar de 2014

Capítulo 2 - Escuro

- Áyla! - eu escutei alguém gritar meu nome. Minha cabeça está explodindo e me viro com calma em direção a voz. - Amiga! - é Carolina.
Ela me abraça com força e eu não consigo evitar e me encolho de dor. Ela para e me olha com preocupação.
- O que foi amiga? Você está bem?
É claro que eu não estou bem, idiota  Eu fecho meus olhos com força para afastar a voz dele da minha cabeça.
- Claro estou bem sim - mentir é feio Áyla! mas como a voz aguda dela é insuportável. - E você como está?
- Ah muito bem! Ontem nós fomos ao cinema e...
De alguma forma eu parei de ouvir a partir deste ponto. Eles gritavam dentro da minha cabeça e eu só queria que eles ficassem quietos. Queria que eles calassem a boca. não queria não eu sorri para Carolina e disse por fim:
- Ei Carol, desculpa, mas eu tenho que ir - eu olhei no relógio do celular... - Não posso demorar a chegar em casa amiga.
- Mas - ela franziu o cenho - ainda faltam dez minutos para o sinal bater - ela suspirou e tocou meu rosto. - Tem certeza de que está tudo bem?
Eu quero vomitar eu sorri eu toque dela e confirmei que estava bem mais uma vez antes de me apressar para chegar em casa.

...

De: XXX-090-3300
Para: Áyla
SMS: Querida, chegue logo, seu pai já está em casa e ele quer te ver.

...

De: XXX-090-3300
Para: Áyla
SMS: Querida? Onde você está? Seu pai está preocupado.

...

De: XXX-090-3300
Para: Áyla
SMS: ayla vem p/ casa agora seu pai ja saiu para te procurar ele ta irritado ayla cade voce?


Ontem estou? Meus olhos estão ardendo... Eu estou chorando, não estou? Olhei em voltei para perceber que estou de frente a escola, mas quando eu sai era o finalzinho da manhã por que está de noite então.
Meu coração começar a bater tão rápido que minha respiração falhava cade vez mais.
Peguei meu celular e vi que tinha muitas mensagens da minha mãe e a última foi a que mais me assustou. Ele saiu para me procurar?
- Ele vai me matar! - o que era para ser Sete gritou. As poucas pessoas que andavam por ali não se atreveram a olhar. Quem sabe que tipo de doida poderia ser...
- Não se eu o matar antes - riu Revoltado.
- Você está feliz - minha voz saiu muito trêmula e chorosa.
- Eu dei uma volta hoje, fiz o que queríamos fazer a muito tempo - ele riu mais - Sete adorou tomar sorvete.
- Sorvete? - eu engasguei ao falar. - Com que dinheiro?!
Eu olhei a minha bolsa e vi que a carteira onde guardei o dinheiro que meu pai tinha me dado para pagar uns amigos dele não estava mais ali.
- Vocês não fizeram isso! - eu gritei com uma voz aguda. Não sei se foi eu ou Sete, não dava para identificar.
- Aqui está você sua putinha - alguém que não era nós falou com uma voz rouca e incrivelmente nojenta.

Eu não queria me virar para olhar você já sabe quem é  eu não queria correr você também sabia que ele iria te pegar  e eu não queria estar no completo escuro agora.

Não importa mais, um de nós pensou. Acho que foi ela. Você vai se entregar?  Com aquela indignação só poderia ser o Revoltado. Eu não aguento mais ela pensou cansada. Todos eles estavam cansados, indignados, com vontade de viver, com vontade de chorar. Todos, inclusive eu, queriam escapar e simplesmente escorregar para outra vida... uma vida em qualquer outro lugar...



Ok... Isso ficou um pouco menos confuso do que o outro, mas não sei se ficou melhor... De qualquer forma, não sei quando a continuação disso sairá ou se sairá... Espero que tenha dado para entender o ponto deste capítulo ^^

Paula Gonçalves de Brito.