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30 de mai. de 2012

Querido


"Querido,

Antes que se pergunte o que diabos esta carta está dizendo quero que leia bem e pense muito antes de tirar qualquer opinião sobre o que vou escrever.

Acho que eu deveria começar explicando o porquê estou escrevendo, ou então, os motivos que me levam a escrevê-la, mas acho que por ser eu estar a escrevendo deveria ser diferente. Isso faz algum sentindo? Espero que faça, pois escrevo com tanta dor no meu coração que não sei se terei coragem de lê-la novamente.

Sempre fomos tão amigos, lembra-se? Desde que te vi pela primeira vez sinto algo no fundo do meu coração. De começo, confesso que achei que fosse o intenso sentimento de amizade. Mas logo fui percebendo que o que eu sentia era mais forte que isso.

Todos os dias em que eu chego à escola o vejo rodeado de garotas que não te amam, só estão ali por puro interesse, mas parece que você não percebe isso. Doí só de ver as imagens na minha mente, as imagens que mais parecem um filme de terror no qual eu sou a vitima. E o pior de tudo é que parece que você gosta disso. Será que não percebe que elas não te amam como eu te amo?

Mas a dor pior foi quando você simplesmente começou a se afastar de mim. Simplesmente parou de falar comigo e foi cada vez mais se aproximando delas. A dor foi tanta que eu não conseguia reagir. Não consegui tentar me aproximar novamente de você. Era como se eu estivesse em puro choque.

Estou escrevendo essas palavras e nem me importo se vai conseguir distingui-las, as lágrimas estão embaçando a minha visão. Não estou pedindo para vir me pedir desculpas. Estou aqui porque não aguento mais sentir tanta dor na minha alma.

Talvez quando você ler esta carta, não mude nada. Mas sinto como se tivesse me livrado de um peso nas costas. Não espero que isso me livre da dor que sinto todos os dias ao olhar para você, mas como dizem... A esperança é a última que morre.

Acho que você já saiba quem está escrevendo a carta, mas isso já não me importa mais.

Com amor.
Alguém que te ama."



Aqui estou eu. Com essa crônica para SM.

6 de mai. de 2012

Here comes de the sun.

A música que lhe fazia se sentir melhor tocava em seu coração. Ela esquadrinhou todo céu com o seu olhar e imaginou o que ele estaria fazendo. Isso não é da sua conta, pensou enquanto brincava com uma moeda, seu olhar se perdia na imensidão azul de um céu em pleno inverno paulista. 


Isso sim era incomum. Todos estavam dizendo que este inverno castigaria São Paulo, mas tudo o que sentia era uma leve brisa. 

O céu estava repleto de estrelas brilhantes, outra coisa muito incomum. Assim como o sentimento que tomou seu coração. Nunca havia se sentido assim antes.

 Sorriu de lado enquanto via a imagem dele na sua mente. Era linda e calma como a música que a encantava. O seu sorriso aumentou e uma risada nervosa escapou de seus lábios.


Se levantou da grama onde estava deitada e passou a mão na roupa para limpa-la. Suspirou e entrou em casa. Deu um boa noite para sua mãe e subiu para seu quarto sem nem mesmo jantar. Fechou a porta e tirou a calça jeans. Tirou a maioria dos cobertores e deixou apenas o lençol. 

Soltou os cabelos e abriu a janela, era um habito que tinha. Sua mãe já havia a proibido de fazer isso, vai que um ladrão vem e assalta a casa?

 Mas ela não estava nem ai. Desligou a luz do quarto e ligou a do abajur, não gostava de dormir no escuro. Não era medo, era mais um costume que havia pegado. Deitou-se e se deixou levar pela bela imagem dele. 
Era de manhãzinha quando acordou. 

O sol nem havia nascido direito e ela viu que eram 06hrs00min da manhã.Se levantou e percebeu que havia esfriado, mas assim que fechou a janela ela escutou um barulho.

 Percebeu que veio da janela, a abriu e olhou para baixo, quando de repente se depara com um garoto vestido de pijamas e sorrindo para ela. Ela praticamente não acredita e corre para a porta da frente, sem nem mesmo vestir uma calça.

Abriu a porta e ele sorriu mais ainda.

- Eu dormi pensando em você. Eu passei o dia inteiro pensando em você. Na verdade, desde que eu a conheci que eu penso em você e nem me venha com desculpinhas por que eu sei que você pensa em mim. - ele disse.

- Convencido - ela disse e os dois riram.

O sol nascia quando os dois se entregaram um ao outro, com um único beijo. Um beijo que os faria viver para sempre.

15 de abr. de 2012

Lindo Pesadelo.

Na noite anterior a aquela, os pesadelos ficaram mais intensos. Era como se fosse perseguida por algo que a fizesse mal, mas que ao mesmo tempo ela precisasse.
Se era culpa dela tudo aquilo? Sabia que não, mas ele fazia parecer isso. Eram amigos desde pequenos e o que ela mais temia aconteceu. Um deles se apaixonou. Só que não era como aquelas histórias em que a menina ama-o, mas não é amada. Ele a amava. Mas ela não correspondia.

Os colegas já haviam a avisado que isso poderia e estava acontecendo, mas ela não queria acreditar. Ela não queria acreditar. Ele era seu melhor amigo, seu confidente. Ela não podia acreditar. Ela não podia acreditar. E isso cresceu em sua mente. Uma mentira tão forte que só a aproximou mais dele.
Ele começou a ter esperanças, esperanças essas que ela não queria alimentar, mas não tinha coragem de mata-las.

Sua família o aprovava, a família dele a aprovava, eles dois se davam super bem, eles dois gostavam das mesmas coisas. O que podia haver de errado naquilo? Por que diabos ela não o amava?
Pra que ela ainda estava se fazendo de difícil? Por que ela continuava a ver ele como um amigo? Por que? 
Eram tantos os 'porque's que sua cabeça começava a doer só de lembrar. 

Ele sempre fora tudo para ela, o único amigo de verdade que ela tinha. E isso tinha que acontecer.
Ele resolveu confessar e deixa-la sem saída, para que ela dissesse logo. Nunca a forçaria a nada, mas queria uma resposta e estava disposto a te-la.
 
Ele a deixou contra a parede. Ela queria mentir para ele e dizer que correspondia, mas temia que aquilo se tornasse algo mais sério. Não queria viver amarrada a alguém que não amava e sabendo que poderia ter evitado.

E ela disse não. Disse com mais ênfase do que planejara, mas estava cansada daquilo que descarregou todos os pesadelos em cima daquela única palavra.
As  lágrimas vieram aos olhos dos dois, e ela sabia que não era pelos mesmos motivos, mas pela mesma razão.
Ela chorava por ver ele magoado. Ele chorava por estar magoado. 
Ela queria poder dizer que tudo ficou bem, mas isso não seria verdade.
Na vida real, é difícil ter um final feliz.


De: Paula G Brito
Para: Minha mente.

7 de abr. de 2012

Segredos

Ela já estava cansada de carregar aquele peso no coração. O peso de amar alguém. Eles haviam sido amigos durante mais tempo que ela esperava. E ela aguentou muito mais tempo que esperava também. Suspirou cansada, nem havia saído da cama ainda. Todo dia era assim, ela acordava feliz por saber que iria vê-lo, mas também triste por saber que teria que guardar mais uma vez o 'eu te amo' que lhe vinha a garganta toda vez que o olhava. 


Ela queria dizer, mas o medo a impedia. Contou isso apenas para uma pessoa, não imaginou que essa pessoa iria contar.
Ele descobriu, era apenas isso que conseguia pensar, o que faria agora? Como as coisas ficariam agora?


 Ela tentou por diversas vezes falar com ele, queria saber o que ia acontecer. Ele devia ter as respostas, afinal, tudo agora estava nas mãos deles e isso não a deixava mais tranquila.


Para o seu desespero, ele não foi para a escola na semana seguinte, não atendia suas ligações. Pensou na possibilidade de ir na casa dele, mas e se ele estivesse fazendo isso de proposito? Eram tantas perguntas que a cabeça dela foi atingida por uma enxaqueca que a fez ficar em casa o dia inteiro.
Um mês e nada. Quando ele finalmente voltou. Ele parecia diferente, não era uma diferença física, longe disso. Era algo em sua postura. Ele a ignorou o dia inteiro e ela disse a si mesma que merecia aquilo. Ou será que não?


Ela se levantou da banco e esperou ele ficar sozinho. Se aproximou dele e pegou sua mão. Ele se virou meio confuso e olhou para ela. Ela se aproximou dele e disse em seu ouvido o que ele estava fazendo?


- Fugindo de mim? - ela disse em um sussurro.
- Nunca - ele disse de olhos fechados.
- Então o que está fazendo? Por que é isso que parece.


O seus olhares se encontraram e palavras não foram precisas. O beijo que aconteceu não fora igual aos que ela já deu. Foi algo diferente, pois os dois consentiam.


- Eu te amo. - ela disse de uma vez só. Era tão bom poder dizer isso.
- Eu também te amo - e era tão bom poder escutar.


De: Paula G de Brito
Para: Gabrielle Colturato.
PS.: Ficou horrível, não consegui fazer melhor, minha mente não está me ajudando esses dias. Peço perdão, Gabi.

31 de mar. de 2012

Dias de dor.

Ela gostaria de ser um pássaro, para que pudesse voar e sentir algo pelo menos parecido com a liberdade.Ela queria poder chorar, mas era como se as lágrimas se recusassem a vir, como se as lágrimas soubessem que era por ele que estava chorando.Ela queria poder gritar, mas a própria voz a abandonou. Ela queria poder bater em algo, mas sua força havia ido embora, como um pássaro no seu primeiro voo. Ela queria poder esquecer ele, mas seu coração e sua mente não deixavam.

Era como se uma sombra vinhe-se e sussurra-se perguntas tolas, mas que nunca foram respondidas,vinhe-se e sussurra-se que ela era boba e inútil demais para alguém notar ela.
Era como se sua própria mente pregasse peças nela e ela sempre caía. Como se a vida comandasse seus passos e sempre dava um jeito de eles desviarem do caminho certo.

Ela queria mais que tudo poder decidir sua própria vida. Sabia que tinha apenas dezessete anos, mas era como se sua alma tivesse trinta e cinco anos.
Como se a prisão, chamada de casa por algumas pessoas, a envelhecesse. Não seu corpo, mas sua alma. A independência era um sonho muito distante, inalcançado.
Sonhava todas as noites em fugir de casa, com ele. 

A questão era essa. Ele. O único que realmente gostava dela, era isso o que demonstrava. Mas agora ela percebia como estava errada. 
Mas estava decidida.
Decidida a acabar com aquilo.

Acabar com seus dias de dor.


De: Paula G de Brito.
Para: Alguém distante.

25 de mar. de 2012

Tormento.


Ela andava com o pensamento atormentando seu coração, assim como a imagem do sorriso dele atormentava sua mente. Aquele sorriso que iluminou seu dia. Aqueles olhos que a fez ver o mundo de uma diferente forma.

 Era ele aquele que ela procurou a vida inteira? Era ele que mudaria seu mundo? Era ele que lhe diria 'eu te amo'? Será que seria ele aquele que ela diria 'eu te amo'? Seria ele aquele que calaria as vozes que atormentava dizendo que ela não conseguiria ser? Seria ele que conseguiria um sorriso dela? Seria ele que a faria feliz? Seria ele que faria ela sorrir pela primeira vez em anos? Seria ele que devolveria a garota alegre que havia se perdido com o passar do tempo? Seria ele que faria ela parar de se esconder? Seria ele que faria com que ela dissesse adeus para a tristeza? Seria ele que tiraria a doença que se alastrou no coração e na mente dela?

Ela duvidava de tudo e de todos. Não havia motivos para ela confiar em alguém. Com o cappuccino em mãos andou pelas ruas em busca de espaço para conseguir pensar, mas era como se tudo em volta dela gritasse o nome dele. E ela não sabia se isso era bom ou ruim. Quando a voz dele surgiu distante. Dessa vez não parecia um delírio dela.

Ele gritou o nome dela, ele parecia estar cada vez mais perto. Ela parou e se virou para ver se era apenas mais um delírio, mas estava enganada. Ele não conseguiu parar a tempo e caiu em cima dela. O cappuccino escapou da mão dela e caiu sobre ele manchando sua camisa. Ele queria dizer algo, mas as palavras não lhe vinham. Ela lhe perguntou o que estava fazendo ali, mas ele mesmo não sabia responder. Ele simplesmente tinha vindo atrás dela, por que estava com medo.
Ela riu sem humor e perguntou de que ele estava com medo, ele olhou nos olhos dela e disse que estava com medo de perde-la.

Os dois se calaram no mesmo momento. Ela sem saber o que dizer e ele sem entender como disse aquilo. Os dois se encararam e foram se aproximando. Cada vez mais perigosamente perto. Ela não sabia o que era certo, nem sabia o que era errado. Parecia que tudo com ele estava certo. Ele, hesitante, passou uma mão na cintura dela. Os seus rostos ficaram cada vez mais perto.
Como se ela tivesse tido um lapso de memória ela se viu beijando ele. 
Sensações indescritíveis inundaram sua mente e coração. E quando o ar faltou e ela olhou nos olhos dele. Ele deu aquele sorriso que iluminou seu dia momentos antes e que continuou a iluminar, aquele sorriso que ele só dava para ela.

E sorriu.

Sorriu por que agora tinha motivos para sorrir e por saber que aquilo iria ser para sempre. Como sabia? Ela simplesmente sabia.




Por: Paula G de Brito
Para: Absolutamente ninguém.

Valeu apena?


Ela estava sozinha quando o pensamento lhe veio novamente à cabeça. O pensamento familiar de que eles poderiam ficar juntos, lado a lado. O quanto ela queria isso... O quanto queria que ficassem juntos para que eles fossem felizes, como um conto mágico. E como o pensamento lhe veio àquela sensação de quando percebeu que ele havia ido embora. Era como se ela estivesse sido libertada de algo que não gostaria de libertar e a fazendo se sentir só.
Quando olhou para trás, viu os erros que haviam cometido. Os passos errados que deram e que continuaram dando. O gosto dos lábios dele ainda estava em sua boca, como um doce que foi provado a tempo atrás, mas que continua. Percebendo que a cama estava vazia, apenas ela e suas lembranças. Lembranças de carinhos e amor que ficaram guardados.

Via a porta entreaberta e percebeu que eles haviam apenas perdido tempo e por medo não seguiram adiante. Descobriu que tinham se prendido a algo que não pertencia a eles e percebeu que jogaram tantas coisas fora apenas por inseguranças. Perguntou a si mesma o que havia feito. Perguntou o que tinha feito para perdê-lo e para onde teria ido, ou então, onde se escondeu, para ajudá-la a esclarecer a história que haviam vivido. Apenas para ela saber o que seria deles.
Será que teriam continuado com aquele amor egoísta e cruel que não permitiu mais nada além daquilo que acabou?
Antes o amor que não deixava eles se soltarem por nada, nem mesmo para comer. Parecia não deixá-los nem olhar um nos olhos dos outros. Sabia que poderia estar errada. Pois a culpa poderia ser dos dois. Fechou os olhos e respirou fundo quando as perguntas invadiram sua mente. Veja o que nosso sonho se tornou. Veja o que passamos por esse sonho. Veja o que aconteceu.
A única coisa que ela queria era saber. Valeu apena tudo isso?




Isso não é de minha autoria, confesso. Eu e a Sovetinho resolvemos fazer uma... Não sei como chamar isso. Eu mandei uma cronica para ela e assim ela transforma em poema e vice-versa. Ficou uma porcaria. Não levo jeito para escrever poema e nem para transforma-lo. Espero que ela me perdoe.

7 de fev. de 2012

Nada.

Ela correu para um canto afastado dentro de si. Correu para um mundo que era seu. Um mundo que era sombrio. Um mundo em que só existia lágrimas.
Que fazia ela pensar em coisas que não era para alguém pensar... Nunca.


 Ela não era nada, era isso o que pensava. Ela não era útil, era assim que pensava. Ela se odiava, era assim que se castigava. Se castigava por coisas que nunca havia cometido, coisas que suas lagrimas tentavam dizer, mas que ela insistia em não ouvir. 


Lagrimas essas que caiam tentando avisa-la do perigo de fugir de quem a ama. 
Lagrimas que pediam para ela parar de se atormentar. 
Lagrimas que reclamavam de tanto serem derramadas sem motivos. 
Lagrimas que não aguentavam mais lhe dizer para ser feliz. Não queria conhecer nada. Parecia que queria ser infeliz.


Quando o amor lhe veio. Lhe veio de forma cruel e ciumenta, mas o amor a fez enxergar. Enxergar o que antes lhe era impossível ver... E ela viu, que realmente poderia ser feliz.




Por: Mim.
Para: Uma linda pessoa.

23 de jan. de 2012

Juntas.

Elas estavam no banheiro, uma com o celular ligado, a outra sem conseguir se controlar. Quando as duas não aguentam e deixam se levar.


I throw my hands up in the air sometimes
Saying AYOGotta let goI wanna celebrate and live my lifeSaying AYOBaby, let's go

Cantaram, pareciam estar gritando. Como se alguma coisa se libertasse dentro delas. Dançavam, mesmo uma sem saber como e cantavam. 
Juntas pareciam perfeitas, cantando, falando, dançando, não importava como, mas era assim.

- 'Cause we gon' rock this clubWe gon' go all nightWe gon' light it upLike it's dynamiteCause I told you onceNow I told you twiceWe gon' light it upLike it's dynamite
Elas cantavam rindo, fazendo gracinhas na frente do espelho, o banheiro ate que era grande, verdade, mas o espelho chamava a atenção das meninas.
Elas não se cansavam. Não importava o nome da música, se era agitada, elas dançavam.
Lembra uma das meninas as músicas que ouviam, mas a música que mais pegou na cabeça delas. AS versões e a original, elas cantavam.
Duas primas. Mesmo que de coração. Não deixavam de ser primas. E isso agradava as duas. 
Pelo menos é isso que imagino.

De: Paula
Para: Gabriela AM.

10 de jan. de 2012

Forte

Tudo era diferente agora, pelo menos para ela, ele continuou tentando se desculpar, mas ela tinha criado um escudo. Um escudo não só para mentiras, mas para qualquer coisa que vim-se dele.

Ela trancava a porta do quarto ignorando a todos, até mesmo quem ela não queria ignorar. Ela se deixava cair ao lado da porta enquanto a trancava. Deixava o seu escudo de menina imune a machucados cair. E chorava.

Chorava por ela. Chorava por ele. Chorava por ter sido tão estupida a ponto de se deixar levar pelas palavras dele. Chorava por arrependimento de ter um dia defendido ele. Chorava também por querer não acreditar nas palavras dele, mas ainda sim era difícil.

Queria morrer. Era isso que pensava. Queria fugir daquele mundo e  ir a qualquer outro lugar. Nem que fosse um campo vazio.

Só queria um pouco de paz, mas isso não parecia existir na sua vida.
Ela tinha se levantado do chão e tinha ido até a parede. De onde arrancou todo os Posters e fotos, todas as coisas que lembrasse ele.

Enquanto olhava ao seu redor, viu que a sua colcha o lembrava, que seu travesseiro o lembrava, que sua cadeira o lembrava, que seu armário o lembrava, que até o bloquinho de anotação o lembrava.

Quando na porta alguém bateu. E ela decidiu que seria forte. Estava cansada, já tinha chorado demais por alguém que não merecia. 
Foi a até a porta e a abriu. E viu quem, que ela insistia em negar, que queria ver.

Ele estava com as bochechas vermelhas e os olhos inchados, sua roupa e seu cabelo estava bagunçados, como alguém que fica rolando na cama tentando dormir. As mãos dele estavam tremendo e sua respiração entre-cortada.

Ele tentou falar alguma coisa, mas ele não conseguiu. Quando ela ia o mandar embora ele conseguiu falar.

- Por favor, Danila. Não me manda embora. Mesmo eu sabendo que mereço ir. Eu sei que você tem razões suficiente para me mandar embora. Eu sei que você não merece passar esse sofrimento. Eu sei que eu não mereço você. Eu sei que eu sou um idiota. Eu sei que eu não merecia nem ser ouvido. Eu sei de muita coisa, mas eu não sei por que fiz aquilo. Por favor. Me ouve - ele disse quando ela ia fechar a porta - por favor... Eu te amo. Eu só fiz aquilo por que achei que você não gostava mais de mim, eu nunca quis beijar ninguém alem de você, Nila. Eu achei que fazendo ciume pra você iria ficar tudo bem. Eu vendo você e o Carlos conversando me deu ciume e como eu sou um covarde não consegui falar com você eu...

Ela o beijou.

- Se você fosse tão covarde quanto diz ser, não estaria aqui. Teria me deixado sofrendo sem ao menos ligar para mim. Eu também te amo. - ele sorriu de um jeito que a fez esquecer tudo.

Esquecer que tinha pensado que ele realmente não a amava. E assim foi feliz. E a colcha de sua cama que a lembrava dele e lhe fazia mal, continuava a lembrar dele. Mas não lhe fazia mal.

De: P. Gonçalves B.
Para: Ninguém.

27 de dez. de 2011

Indesejada?

Claro que não queria ser indesejada... Mas não sabia como iria fazer para mudar quem era... Não podia simplesmente trocar de corpo com alguém.


Um mês atrás poderia imaginar como seria viver sem alguém, mas agora parecia impossível.
Ele parecia ocupar e ao mesmo tempo deixar um vazio no seu coração, era incrível.


Ela olhou para trás mesmo sabendo que não deveria fazer isso, pois assim voltaria, mas foi ao contrário, ela só sentiu mais vontade de sair dali.


Ouviu as risadas, era óbvio que nem notaram 
sua ausência, mas resistindo a vontade de voltar para o que um dia chamou de lar se virou e continuou andando até que uma voz a faz parar.


- Judie? - ele a chamou - V-você... Não vai embora pra sempre não é?
Ele, o único que sempre lhe dera atenção, lhe dera uma amizade linda, lhe dera consolo, estava ali. 
O seu único amigo.


- Por favor... - ele começou a chorar - Eu não posso viver sem você... 
E ali estava ele pedindo a ela pra ficar.


- Tem gente que gosta de você, sabia Judie?
- Não... Parece que todos me odeiam.
- Ei! Eu gosto de você!


Finalmente entendera o significado da frase do mesmo.
- Tenho que ir. - mas seu coração não aguentava mais.


- Achei que ia dizer isso - ele secou as lágrimas e mostrou a mochila - Juntos... Sempre.


- Ei, Judie?
- Que? - ela levantou o rosto ainda chorando.
- Eu estou aqui, sabia?
- Mas quem me garante que você não faça igual a eles?
- Judie? - ele chamou quando ela abaixou a cabeça.
- Hum?
- Juntos... Sempre.


Ela deu um sorriso, um sorriso que a muito tempo não lhe vinda naturalmente.
- Sim. Juntos... Sempre.


E soube que foi a coisa certa a fazer, pois se não fosse embora, iria ficar pensando que seu coração pertencia aquele que a humilhou, mas que na verdade pertencia aquele que sempre a fez sorrir.


Por: Paula
Para: Um alguém

26 de dez. de 2011

Anonima.

Um clarão a entristece, nem sabe por onde começar. Se ao menos conseguisse um lugar lá... Um lugar que a aceitasse mesmo com a sua diferença.


- Uma garota assim não merece viver aqui.

Lembrou-se das palavras dele, sabia que ele não falava de uma casa, mas sim do seu coração. As lágrimas correram de seus olhos enquanto ela corria.
Ele entrou em sua casa, sem perceber a besteira que havia feito. 
Ela não tinha deficiência física, nem mental. Sua deficiência era no fato de ser órfã. Conhecerá aquele menino em um parque, distante da cidade onde moravam.


Era uma menina linda, com seus cabelos encaracolados e a pele cor de seda branca, os olhos claros que ficava entre o verde claro e o azul guardavam muitas coisas.


Ele se aproximou dela, achando que com aquela beleza seria uma menina filha de pais ricos, mas quando estavam na porta de sua casa quando ela mencionou o orfanato ele mudou de atitude.
Seus pais não aceitariam que ele ficasse com uma menina órfã, muito menos uma menina pobre. Ele mesmo gostando dela, fora criado para esnobar qualquer um que não estivesse a sua altura.
E ela não ficou nem um pouco surpresa com a reação dele, apenas tinha uma leve esperança que se fora. 


Entrou no orfanato já com as lágrimas secas, deitou em sua cama afim de esquecer a sua humilhação, mas já estava acostumada a isso. Sempre era tratada assim, mesmo sendo bonita, mesmo sendo educada.
Era sempre humilhada, por que em meio a tantas qualidades ela tinha o que pensava ser um defeito. Anonima.


De: P. Gonçalves B.
Para: Alguém...