25 de mar de 2012

Tormento.


Ela andava com o pensamento atormentando seu coração, assim como a imagem do sorriso dele atormentava sua mente. Aquele sorriso que iluminou seu dia. Aqueles olhos que a fez ver o mundo de uma diferente forma.

 Era ele aquele que ela procurou a vida inteira? Era ele que mudaria seu mundo? Era ele que lhe diria 'eu te amo'? Será que seria ele aquele que ela diria 'eu te amo'? Seria ele aquele que calaria as vozes que atormentava dizendo que ela não conseguiria ser? Seria ele que conseguiria um sorriso dela? Seria ele que a faria feliz? Seria ele que faria ela sorrir pela primeira vez em anos? Seria ele que devolveria a garota alegre que havia se perdido com o passar do tempo? Seria ele que faria ela parar de se esconder? Seria ele que faria com que ela dissesse adeus para a tristeza? Seria ele que tiraria a doença que se alastrou no coração e na mente dela?

Ela duvidava de tudo e de todos. Não havia motivos para ela confiar em alguém. Com o cappuccino em mãos andou pelas ruas em busca de espaço para conseguir pensar, mas era como se tudo em volta dela gritasse o nome dele. E ela não sabia se isso era bom ou ruim. Quando a voz dele surgiu distante. Dessa vez não parecia um delírio dela.

Ele gritou o nome dela, ele parecia estar cada vez mais perto. Ela parou e se virou para ver se era apenas mais um delírio, mas estava enganada. Ele não conseguiu parar a tempo e caiu em cima dela. O cappuccino escapou da mão dela e caiu sobre ele manchando sua camisa. Ele queria dizer algo, mas as palavras não lhe vinham. Ela lhe perguntou o que estava fazendo ali, mas ele mesmo não sabia responder. Ele simplesmente tinha vindo atrás dela, por que estava com medo.
Ela riu sem humor e perguntou de que ele estava com medo, ele olhou nos olhos dela e disse que estava com medo de perde-la.

Os dois se calaram no mesmo momento. Ela sem saber o que dizer e ele sem entender como disse aquilo. Os dois se encararam e foram se aproximando. Cada vez mais perigosamente perto. Ela não sabia o que era certo, nem sabia o que era errado. Parecia que tudo com ele estava certo. Ele, hesitante, passou uma mão na cintura dela. Os seus rostos ficaram cada vez mais perto.
Como se ela tivesse tido um lapso de memória ela se viu beijando ele. 
Sensações indescritíveis inundaram sua mente e coração. E quando o ar faltou e ela olhou nos olhos dele. Ele deu aquele sorriso que iluminou seu dia momentos antes e que continuou a iluminar, aquele sorriso que ele só dava para ela.

E sorriu.

Sorriu por que agora tinha motivos para sorrir e por saber que aquilo iria ser para sempre. Como sabia? Ela simplesmente sabia.




Por: Paula G de Brito
Para: Absolutamente ninguém.

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